• Aline Pigozzi

Manifestações religiosas dão aula de política


Enquanto militantes entram em conflito de ideais, cristãos praticam a boa vizinhança

Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado uma intensa disputa política que, notoriamente, divide a população. Corrupção, mentiras e abusos de poder de todos os lados atingem os brasileiros de tal forma ao ponto de se afastarem uns dos outros.

Denominações como coxinhas versus mortadelas, direita versus esquerda e “nós” contra “eles” ilustram perfeitamente o cenário atual brasileiro, de separação de classes, ideais e atitudes.

A situação chegou ao ponto, inclusive, de ter espaços públicos isolados em dias de manifestação política na intenção de evitar choque entre militantes, como já aconteceu na Praça dos Três Poderes, em Brasília e como acontece na Avenida Paulista, em São Paulo.

No entanto, esse contexto social é verdade absoluta? O que fazem é, de fato, política? Ao mesmo tempo em que o cenário corrupto divide as pessoas, em nome de Jesus Cristo elas mesmas se unem, independente se a cor de suas camisetas é vermelha ou amarela. E isso também é política!

Entre os vários significados da palavra, política é a arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo grego “politiká” é uma derivação de “polis”, que designa aquilo que é público.

Sendo assim, o que seria o dia de Corpus Christi, quando também acontece a Marcha para Jesus, senão um verdadeiro ato político? Dois eventos distintos, o primeiro sendo uma celebração católica e o segundo uma manifestação evangélica, mas ambos reunindo milhões de pessoas que saem pelas ruas da cidade (espaço público) proclamando ao mundo sua fé (igualdade de interesses).

Em um dia como esse, quando o natural seria ver um embate religioso com cada qual brigando por espaço e pelo que considera verdade – na interpretação da política suja feita no Brasil –, o que se vê são pessoas exercendo seu papel de cidadãos, sem qualquer ocorrência registrada.

A professora Marcia Alice Dantas, de 46 anos, frequenta a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, de Alphaville e já participou três vezes da confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi.“ Independente da religião, o importante é ser temente a Deus. Se o ambiente é saudável e se tem o objetivo levar a palavra de Deus ao próximo, eu gosto e acho favorável. ”

O mesmo deveria acontecer na política, segundo Marcia: “É uma ignorância se unir para levantar a bandeira de Cristo e depois se separar por brigas sem fundamento. Eu não preciso concordar com o outro, mas posso ouvi-lo e respeitá-lo. Essa troca deve ser produtiva, não agressiva”.

O outro lado da história também acontece. A jovem Maria de Fátima Bonani, de 23 anos, frequenta a Paróquia São Sebastião, no Campo Limpo e conta que já participou do evento evangélico em 2015. “Foi uma experiência muito boa, pois fui muito bem acolhida por todos, mesmo não sendo da mesma religião”.

Para ela, ser católica não foi um problema, já que “tinha consciência de que a causa da caminhada era voltada totalmente para o único que deu a vida por nós, Jesus Cristo”.

Estes e outros tantos depoimentos são exemplos de como a verdade e o respeito mútuo, como Jesus ensina, são bases para o exercício de uma legítima política, capaz de transformar a pluralidade em unidade, sem ferir o idealismo de ninguém.

Quando toda a sociedade tiver essa consciência, as vozes que gritam por justiça serão uma só. Afinal, todos estão em busca do mesmo propósito: paz para o Brasil.


Empresário Cristão 2020 • Todos os direitos reservados