• Aline Pigozzi

Profissionais se colocam a serviço da solidariedade


São diversos talentos, em diversas áreas, agindo pelo mesmo bem

Atendimento de qualidade por um preço que cabe no bolso. Essa é a proposta do “Projeto Integra-Ação” que, desde 2015, vem movimentando a vida de muitas pessoas do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo.

Confeitaria, Salgados, Dança de Salão, Ballet, Pilates, Zumba, Libras, Instrumentos Musicais e Psicoterapia são algumas das ações promovidas por uma equipe movida pelo sonho do padre Francisco Glenio de Almeida, pároco da Paróquia São José Operário, localizada no distrito.

Tudo começou em 2014, quando o consultor de empresas Marcelo Galvão apresentou ao padre, seu amigo, um grupo de estudantes em Podiatria Clínica (especialistas na prevenção e cuidado dos pés) que estava em busca de um espaço para fazer caridade.

O pároco logo indicou a Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, integrante da paróquia. Além da podiatria, Beatriz Yamada, coordenadora do grupo, ainda se ofereceu para atender pessoas em terapia, já que também é psicóloga.

“Sempre quis ter um espaço para encaminhar o povo à Psicoterapia, porque sei que esse atendimento não é barato”, explicou o padre que faz terapia há 10 anos e é estudante da área.

Os atendimentos começaram e, um ano depois, em um curso de pós-graduação em Psicoterapia Psicanalítica, padre Glenio e Marcelo tiveram uma grande oportunidade: precisavam de um espaço para clinicar e concluir a supervisão do curso. Sem pensar duas vezes, o pároco da São José logo ofereceu a demanda que já existia na paróquia.

Do sonho à realidade

“Fui convidando amigos e, quando vimos, já tínhamos um grupo de 12 psicoterapeutas atendendo, além da turma da Beatriz”, contou o padre com empolgação.

Marcelo, hoje um dos diretores do projeto, conta que a iniciativa foi oficializada por sugestão de uma supervisora do curso, que achou a ideia muito interessante. “Então, agora o nosso projeto tem nome, diretrizes e metas”, acrescentou.

O objetivo do projeto é movimentar o ser humano (independente da religião) para que ele se reconheça, se sinta integrado e capaz de realizações, daí o nome “Integra-Ação”, com as mãos se doando.

Junto do objetivo está o pressuposto do projeto: “nada é feito de graça, mas a cobrança é negociável, de acordo com o que o participante pode pagar”, assim ele percebe a seriedade e se compromete.

Desse valor pago, 10% são direcionados para a manutenção do projeto e o restante cobre gastos de aluguel de sala ou equivale ao salário do profissional. “Eles prestam um serviço quase que de graça. Os psiquiatras, por exemplo, Dra. Dora Landa e Dr. Mayer Snitcovsky, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, não cobram nem 10% do valor que cobrariam no consultório deles”, garantiu padre Glenio.

Ampliação do projeto

Além da clínica psicoterápica, há a clínica médica, que conta com profissionais que se ofereceram ou foram indicados por amigos. E padre Glenio ainda criou uma terceira parte, que é o desenvolvimento pessoal por meio das oficinas. Segundo ele, seus paroquianos têm muitos dons que podem colocar a serviço da comunidade.

Assim aconteceu com Thais da Cruz Sampaio, de 24 anos. Ela é confeiteira e se sentiu desafiada a dar aulas, criando a primeira oficina do projeto: Confeitaria. “Foi emocionante ensinar pessoas. Estou aprendendo muito e é fascinante”, afirmou a jovem que já atendeu 50 pessoas, entre turmas de adulto e criança.

Uma de suas alunas, Maria Aparecida de Souza, de 52 anos, agradece a oportunidade: “Sou cozinheira e sentia necessidade de aprender sobre doces. O curso foi ótimo e aconselho quem puder a fazer”, ela que participou com a filha e depois inscreveu o filho mais novo na turma dos pequenos.

Foi o caso também do músico multi-instrumentista Luiz Ricardo da Silva, de 29 anos. Luizinho, como é conhecido, se ofereceu para retribuir o que, um dia, um maestro voluntário fez por ele. “As aulas têm proporcionado diversas descobertas de talentos musicais”, se orgulha o oficineiro que já ensinou cerca de 40 pessoas.

Seu aluno Samuel Aguiar Passos, de 13 anos, ama bateria e participa das aulas há quase um ano. “Tudo o que eu sei hoje aprendi com meu professor, que ensina muito bem”, afirmou o estudante que já toca em algumas missas e pretende se formar em Música.

Colhendo bons frutos

Nesse um ano e meio de “Integra-Ação”, a clínica psicoterápica, sob direção de Miriam Rebelo, já atendeu mais de 100 pacientes e, atualmente, 70 encontram-se ativos. São cinco supervisores para um grupo de 30 terapeutas que recebem jovens e adultos em todas as regiões de São Paulo, com proposta de alcance até Santos, no litoral.

Marcelo Galvão é o diretor da clínica médica, que conta com dois psiquiatras, um fisioterapeuta, uma nutricionista e uma dentista que está contribuindo para a montagem do consultório dentário do projeto.

A área de desenvolvimento pessoal, que inclui oficinas e orientação para casais, é dirigida por padre Francisco Glenio. Atualmente, oito pessoas oferecem atividades nas áreas de linguagem, culinária, dança, música e aeróbica.

O projeto ainda promove encontros e ações pontuais com a função de “plantar a sementinha” sobre determinados assuntos, como educação infantil, orientação profissional e relacionamentos.

Pelo sucesso da iniciativa e com tantos resultados positivos, agora o sonho dos diretores é transformar o projeto em uma organização não governamental (ONG), para atingir muito mais pessoas.

Para conhecer mais sobre o “Integra-Ação”, visite o blog do projeto (http://projetointegraacao.blogspot.com.br/). Lá, se encontram as regras para ser beneficiado e para atuar na equipe, além da relação de atividades e profissionais envolvidos.

O Movimento Empresário Cristão apoia essa iniciativa e deseja que ela seja inspiração para o desenvolvimento de muitas outras comunidades. Parabéns, Integra-Ação!


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