• Landi Dantas

DEUS AMA A JUSTIÇA E O DIREITO

“Jesus disse-lhe: apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17)


Na periferia de São Paulo, próximo ao Capão Redondo, moravam o casal e os filhos adolescentes. A esposa advogada e mediadora atuava na área trabalhista e assessorava condomínios em processo de auto-gestão, o marido era um pequeno empresário, batalhando com muitas dificuldades. Eram especiais os encontros mensais na casa do amigo juiz, onde se reuniam para falar de Deus e confraternizar com várias famílias, haviam sido apresentados pelo padre que era próximo.


Certo dia este casal recebe uma ligação e para surpresa dos dois, era o juiz amigo pedindo um auxílio. Bom, ele desejava falar com o marido e de forma direta foi colocando a sua necessidade. Disse que sabia das dificuldades que haviam enfrentado em um condomínio, conhecia o trabalho que o marido havia feito para ajudar moradores de prédios, chegando a elaborar um Guia para auxílio de síndicos. Contou que uma das amigas que se reuniam em sua casa estava com problemas e lhe pedira ajuda. Explicou que esta amiga estava sendo executada por uma dívida de condomínio e que o processo já tinha sido julgado em primeira instância e que por uma questão ética, mesmo sendo muito próximo, não poderia interferir. Pedia desta forma, para o pequeno empresário conversar com as partes envolvidas e tentar algum acordo.


De imediato os dois se dispuseram a colaborar, e intrigado, o pequeno empresário pensou na honradez do amigo juiz, que mesmo podendo, se recusava a interferir em favor da sua conhecida. Ligou para o síndico no dia seguinte bem cedo e se apresentou como pesquisador na área de condomínios, disse que soubera de um problema relacionado à uma pessoa próxima e perguntou se havia alguma condição de diálogo. Após alguns minutos no telefone, ficou surpreso em saber que o síndico estava muito triste com este processo, que a moradora já tinha sido condenada e que ou pagava as parcelas condominiais em atraso, ou seguia o processo para execução e provável perda do apartamento, sabia da doença terminal do irmão dela e não entendia como as coisas chegaram naquele ponto. Foram amigos no momento da eleição.


Alguns meses depois de eleito, foi acusado por um grupo de moradores de estar lesando o condomínio, esta moradora foi a que mais agitou os demais condôminos, pessoas próximas se tornaram inimigas. Mas o que mais entristeceu o síndico foi que em certo dia viu no jornal uma matéria que tratava de síndicos e administradoras desonestos na Cidade de São Paulo, a moradora chamara a imprensa e uma foto dela, de costas, foi colocada logo abaixo da manchete. Ocorre que na lateral do prédio ao lado havia um outdoor que milhares de pessoas viam diariamente, saiu na foto, todos souberam em que lugar estaria havendo desonestidade. Acabou virando caso de polícia e ministério público. Nenhum ato ilegal restou comprovado até onde acompanhou-se o caso.


Na tentativa de buscar uma alternativa de paz nesta grave situação, o amigo do juiz conversou com os dois individualmente, percebeu que questões pequenas foram se acumulando e onde havia amizade passou a existir muito ódio, mágoas e ressentimentos. Os dois choraram e em uma reunião seguinte, com a administradora de condomínios interferindo negativamente no princípio, acabaram chegando a um acordo. O juiz ficou extremamente agradecido.


Um detalhe aqui é muito importante, esta pessoa que ajudou os dois moradores a conversarem e chegarem ao entendimento, foi internada certa vez com arritmia após sair de uma reunião de condôminos onde morava, sentiu-se ameaçado de morte e dos 10 vizinhos que brigavam com ele após uma eleição para síndico carregada de ofensas e mentiras , 09 venderam suas casas, toda sua inteligência foi utilizada para se defender e atacar aqueles que em sua forma de ver, o agrediam. Ninguém consegue resolver um problema sendo parte dele. Vale para todos, até para um juiz eventualmente amigo, mas que deseja ser ético.


Quantas pessoas de bem tem coragem de disputar uma eleição de síndico na sociedade que vivemos hoje? Imagine-se então em outras eleições.



No Condomínio Brasil, precisamos de um mediador isento.




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