A vida em comunidade: o condomínio não é empresa

“O condomínio tem de ser um todo vivo e completo integrando seus moradores numa coletividade familiar saudável com interesses e deveres comuns. E fórmula da máxima liberdade tem de ser encontrada em cada caso de modo a satisfazer uma maioria tão grande quanto possível”. Nelson Brotto.

Por Luciana Reis

A importância da vida em comunidade é inegável, assim como os desafios que a convivência entre diferentes indivíduos exige. As palavras do arquiteto, professor e escritor Nelson Brotto, em seu livro “Dos Prédios em Condomínio”, não poderiam ser mais atuais. A ideia trazida é de que por mais que seja difícil atingir uma unanimidade, o importante é se buscar a maior satisfação possível entre os residentes daquela coletividade, o que está diretamente ligado às relações dentro de um condomínio.

A própria palavra condomínio, que tem origem no latim “condominium”, em que “con” significa junto, em colaboração, e “dominium”, que deriva de “poder, propriedade”. Em síntese, condomínio é a propriedade comum, em que os moradores possuem direitos e deveres, em edifícios ou agrupamentos de casas onde, além do espaço privativo, há as áreas comuns.

As relações sociais dentro de um condomínio implicam o envolvimento e ações de diferentes pessoas, desde o síndico e administradores, que se esperam ativos e preocupados com a resolução de conflitos e com a apresentação de soluções sobre questões variadas da vida em condomínio, como também dos funcionários em suas atividades diárias e, principalmente, nas atitudes dos moradores.

Imagem: Gazeta do Povo

Imagem: Arte/UOL/Stefan

É de extrema importância uma convivência harmoniosa, em que as relações entre os moradores de um condomínio façam com que este espaço não seja visto como uma empresa, com preocupação maior com questões monetárias, ou mesmo com a convenção, o regulamento ou o regimento interno. Ali residem seres humanos, com necessidades a serem tratadas levando-se em consideração a inserção em uma comunidade solidária.

Imagem: Gazeta do Povo

É de extrema importância uma convivência harmoniosa, em que as relações entre os moradores de um condomínio façam com que este espaço não seja visto como uma empresa, com preocupação maior com questões monetárias, ou mesmo com a convenção, o regulamento ou o regimento interno. Ali residem seres humanos, com necessidades a serem tratadas levando-se em consideração a inserção em uma comunidade solidária.

Contextos diferentes, necessidades iguais

A matéria da Folha de S. Paulo “Moradores preferem o conforto dos condomínios à vida na cidade grande”, veiculada em novembro de 2015, mostra a preferência de famílias que deixaram a cidade grande para viverem em condomínios em regiões que, ainda que próximas aos grandes centros urbanos, proporcionam a possibilidade de uma relação diferente entre os moradores e outro estilo de vida aos mesmos. 

A matéria destaca ainda que não é apenas no bairro de Alphaville, na grande São Paulo, que os moradores buscam relações mais saudáveis, por exemplo entre os vizinhos. A comparação parte também para as famílias que vivem em favelas. Guardadas as devidas diferenças de contextos sociais, evidentes entre cada exemplo citado, o que se pretende é analisar o sentimento de comunidade a partir das relações entre os moradores, o qual vem se perdendo ao longo das décadas, mas que ainda pode ser percebido em diferentes contextos de vida e poderes aquisitivos .

 

Imagem: Rio on Watch

O objetivo era mostrar que o sentido de comunidade ainda resiste, principalmente em regiões carentes e, apesar de ser em uma proporção diferente, este objetivo comum é buscado também em diferentes condomínios nas cidades. Nas reuniões e assembleias de moradores, a troca de informações entre os moradores e o debate antes de serem tomadas decisões sobre, por exemplo, melhorias no prédio – e confirmação se os condôminos estão de acordo com as propostas –, além do estímulo à convivência saudável entre as famílias vizinhas são alguns dos exemplos de ações que podem fazer a diferença no dia a dia, na vida em comunidade.

Os valores nas relações em condomínios

Tais atitudes vão na contramão do que se tem observado nas relações entre condôminos, que mal se encontram e se cumprimentam no elevador, ou que veem o outro como alguém diferente, principalmente quando é visto como alguém que o incomoda. O mesmo vale para a visão que se tem do síndico, como alguém que não irá ajudar na resolução de diferentes questões do condomínio.

Muitas vezes nos esquecemos dos princípios e do respeito ao próximo, principalmente ao surgirem divergências – o que não é difícil de ocorrer quando o assunto é a convivência, o respeito ao direito do próximo. 

E novamente as ideias de Nelson Brotto se mostram atuais, pois ele há décadas já defendia que os prédios – e neste caso se enquadram também os condomínios de casas – são mais do que apenas construções de concreto, eles precisam ter vida e alma, eles não são conjuntos de máquinas de morar pois existe um interesse comunal e, como o próprio arquiteto define, em um regime de democracia absoluta e tributação cristã, ou seja, quando se leva em consideração preceitos cristãos e humanos inclusive nas cobranças financeiras a cada morador.

Imagem: Up! Gestão Esportiva

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