Movimento Empresário Cristão forma mediadores sociais para atuar em comunidades

A ideia surgiu na década de 90 e foi adotada, inclusive, pelo Poder Judiciário

Por Aline Pigozzi

Recentemente, o portal de notícias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou uma matéria sobre o programa “Mediar é Divino”. Uma iniciativa do Tribunal de Justiça de Goiás, que forma líderes religiosos em Mediação e Conciliação, para atuarem como pacificadores em suas comunidades.

O programa começou em 2016 e já se estendeu para os tribunais do Distrito Federal, do Paraná e do Mato Grosso do Sul, com dois objetivos: ampliar o acesso da população ao Judiciário e utilizar a conciliação para resolver demandas que poderiam se estender por longos anos.

Esta é uma ação apoiada integralmente pelo Movimento Empresário Cristão, por acreditar que este é o caminho para se construir uma sociedade mais justa e fraterna, haja vista o trecho do salmo 33, que diz: "Deus ama o Direito e a Justiça". Uma ação que, apesar de parecer pioneira, já é estudada e trabalhada neste espaço há 25 anos.

Primeiras ações

Tudo se inicia em 1994, com a ideia de formar uma rede de empreendedores comprometidos com a ética, para prestar serviços e ofertar produtos em condomínios. Como o ambiente proposto era o mundo do trabalho e das relações de consumo – tipicamente conflituoso –, os meios pacíficos de resolução de conflitos logo se tornaram uma alternativa para garantir a boa relação entre fornecedores e consumidores, podendo ser aplicada agora em todos os ambientes.

Landi Dantas, um dos idealizadores do Empresário Cristão, explica que, naquele tempo, não havia uma orientação legal específica para a mediação e a conciliação antes de dar sequência a um processo judicial, em caso de conflito. Situação que mudou em 2015, com o Novo Código de Processo Civil.

Por isso, para sustentar a iniciativa, ele recorreu à credibilidade da Igreja Católica e aos ensinamentos de Jesus, que orienta seus discípulos a dialogar e resolver seus conflitos dentro da comunidade, se necessário com a ajuda de uma terceira pessoa.

Outra fonte importante de inspiração para o Movimento foi o modelo de resolução de conflitos aplicado na ONG “JusPopuli Escritório de Direitos Humanos”. Um projeto iniciado em Salvador (BA) nos anos 2000, de criação de escritórios populares de mediação. Para conhecer a iniciativa, assista ao vídeo abaixo.

Com o avanço do projeto e o envolvimento de pessoas importantes no Movimento Empresário Cristão, como Padre Eduardo Ramos, o arquiteto Sellen Nelson Bussab e o desembargador José Geraldo Barreto Fonseca, algumas ações foram refinadas e colocadas em prática.

Entre 2004 e 2008, o projeto foi apresentado a pequenos empresários e consumidores da região do Campo Limpo, na periferia de São Paulo, e a líderes religiosos dispostos a abrir as portas de suas igrejas para uma ação pela Cultura da Paz.

Em 2010, as propostas foram acolhidas e aprovadas no 1º Congresso de Leigos da Arquidiocese de São Paulo. Conforme definido e detalhado no congresso, em 2014 foi formada a primeira turma de mediadores sociais, com base na Doutrina Social Cristã e nos parâmetros da Resolução 125 do CNJ.

O curso foi promovido pela Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUC-SP (COGEAE) e realizado na Paróquia São Luiz Gonzaga, na Avenida Paulista. Participaram 55 pessoas de diferentes religiões e de várias áreas da cidade, com o propósito de atuarem em salas de pacificação nas igrejas, atendendo a todos, independente de suas crenças religiosas.

Por que mediação?

Segundo Adolfo Braga Neto, presidente do Conselho de Administração do Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil – IMAB, “mediação é um processo pacífico em que uma terceira pessoa, imparcial e independente, com a necessária capacitação, facilita o diálogo entre as partes para que melhor entendam seus conflitos, a fim de alcançar soluções criativas”.

Historicamente, a mediação de conflitos é uma ação praticada desde o princípio da vida em sociedade. Nos milenares costumes orientais, na Grécia Antiga e nos primeiros ensinamentos cristãos, por exemplo, ela já foi utilizada.

No entanto, sua valorização como serviço extrajudicial é recente. Por isso, pouco a pouco, ela começa a fazer sentido na atual sociedade, por ser um importante aliado na construção da paz, como afirma a desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Dra. Maria Cristina Zucchi, em ocasião de um evento realizado pelo EC.

“É preciso resgatar o valor humano que está escondido nos processos. O mais importante é buscar uma atitude de amor, de pacificação e de reconciliação entre as pessoas. Práticas que, normalmente, não se conquistam pelas vias judiciais normais”.

Inspirando novas iniciativas

A equipe do Empresário Cristão sabe que seus passos em direção ao sonho de construir uma rede social solidária foram vistos por milhares de pessoas do Brasil e de outros países. E que seu trabalho serviu de inspiração para várias instituições.

Segundo Landi, todas as propostas e etapas desenvolvidas pela equipe foram divulgadas no site do Movimento desde 2004.

“Tenho certeza de que beberam nas fontes do nosso trabalho. Indicamos um caminho para a sociedade e estamos felizes em ver as ideias frutificarem”, afirma o fundador do EC.

O próximo passo do Empresário Cristão é colocar em prática todos esses anos de estudo e trabalho, começando um projeto piloto com o apoio de padres das Dioceses de Campo Limpo e Santo Amaro. 

Segundo a equipe, em breve muitas novidades virão sobre essa constante caminhada em busca de uma Sociedade da Confiança e da Cultura da Paz.

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